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domingo, 9 de novembro de 2014

Voo de balão sobre o vale do Nilo (05º Dia - 01/02)



O grande Vale do Rio Nilo em Luxor pode ser admirado em um belíssimo e inesquecível voo de balão. O passeio começa bem cedo, ainda escuro, pois uma das atrações do voo é justamente ver o nascer do sol lá de cima, um verdadeiro espetáculo! A principio este passeio nem estava em nossos planos de viagem, mas quando nos ofereceram no Hostal Shierif Bob Marley, em Luxor, aceitamos na hora. Nunca havíamos voado em um balão, o cenário seria muito especial e exótico: ver o rio Nilo e toda a necrópole de Tebas lá do alto com o sol nascendo ao fundo. Sem falar no preço, cerca de 30 USD por pessoa já com o transfer do hostal incluso... MUITO BARATO! Para ter uma comparação, um passeio similar muito famoso é o voo de balão na Capadócia, Turquia. Lá o preço do voo custa a partir de 170 Euros por pessoa. Infelizmente o turismo no Egito passa por um período de "vacas magras" que nem mesmo os baixos preços conseguem trazer os turistas. Antes da revolução que seguiu a "primavera árabe" todos os dias mais de 80 balões voavam simultaneamente nos céus de Luxor. No dia em que voamos eram apenas 3... Um pena, pois o passeio é realmente indescritível, uma das experiências mais marcantes da viagem. Saímos do hostal por volta das 05 horas da manhã. Era ainda escuro quando uma van nos apanhou e nos levou até a margem oriental do rio Nilo, a qual atravessamos de barco para continuar o deslocamento do outro lado. Em nosso grupo estavam ainda alguns franceses que se juntaram a nós no barco antes da travessia. Se você for para o Egito, vá preparado para tomar chá. Em todos os lugares, lojas, restaurantes e casas, o chá sempre é oferecido. No barco não foi diferente, enquanto aguardávamos a saída do barco e orientações do guia dos procedimentos durante o voo de balão, aproveitamos para apreciar as luzes da margem ocidental refletidas no Nilo tomando uma xícara de chá que nos foi servida.

Luxor, vista da margem oriental do rio Nilo


Do outro lado do Nilo (margem ocidental) outra van nos levou até o ponto de partida do voo. Quando chegamos, as equipes já preparavam os balões, enchendo-os com ar quente dos maçaricos.




Entramos no sexto do balão, eu e a Estela de um lado, os franceses do outro e o piloto no centro. Também foi junto um guia particular dos franceses e uma pessoa da equipe que filmava o passeio. Lentamente o balão iniciou a subida ainda com jatos de fogo sendo expelidos logo acima das nossas cabeças. Logo o sol surgiu no horizonte em um belo espetáculo! Claramente pudemos entender porque o Egito antigo era chamado de "a dádiva do rio Nilo". Lá do alto dá pra ver bem destacadas as duas faixas verdes de terras férteis que surgem nas margens do rio. Todo o restante é deserto a perder de vista. Nas margens do Nilo as planícies recebiam os sedimentos trazidos pelas enchentes anuais, as quais permitiam colheitas abundantes e fartura para seus habitantes. Assim foi durante milênios de história. 




Luxor, antiga Tebas
Sobrevoando as terras férteis às margens do rio Nilo

Sobrevoamos um dos vilarejos. A maioria das construções inacabadas, sem revestimento, sem telhados, típico em todo o Egito. 

Aproximando-se de vilarejo em Luxor

Sobre vilarejo em Luxor

O balão pairava lentamente no ar, as vezes mais alto, as vezes baixando para se aproximar de alguma das atrações da necrópole de Tebas. Foi assim com os dois Colossos de Memnon. O piloto levou o balão para bem próximo deles. 


Colossos de Memnon


Lá de cima deu para identificar bem o Templo da Rainha Hatshepsut, o Vale das Rainhas (local onde eram enterradas as esposas dos faraós), o Templo de Habu, uma parte do Vale dos Reis (local de sepultamento de inúmeros faraós), dentre outros templos e tumbas que compõe todo o Vale Sagrado da antiga Tebas, hoje chamada de Luxor. 

Tempo da rainha Hatshepsut
Vale dos Reis
Depois voltaríamos para tomar o café da manhã no hostel para às 10 h iniciar a visita por terra as principais atrações do Vale Sagrado, mas isso vamos deixar para a próxima postagem. Depois de uns 45 minutos de voo, o balão pousou no meio de um canavial. A equipe já estava lá para ajudar na descida e algumas crianças da aldeia local também. 






De lá, o motorista da van já nos aguardava para levar-nos até a margem do Nilo para fazermos a travessia até o lado oriental. Voltamos para o hostal muito contentes, um grande passeio que ficará para sempre na lembrança! Quem for pra lá não deve perder por nada este incrível passeio.


Luxor, margem ocidental do rio Nilo



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sábado, 27 de setembro de 2014

O Templo de Luxor e o por do sol no Vale do Nilo (04º Dia - 03/03)




Logo na saída do complexo de Karnak (ver postagem O grande templo de Amon em Karnak) há um conjunto de pequenas lojas de artesanato. Um pequeno busto da rainha Nefertiti chamou a atenção da Estela e acabamos iniciando uma negociação com um dos vendedores. Ficamos com o busto e uma vasta opção de pratos de cerâmica fez com que entrássemos em outra loja. O movimento era baixo e fomos muito bem atendidos nos dois locais. As negociações, a quantidade de objetos disponíveis e a presteza daqueles dois vendedores fez com que a conversa fosse além da compras. Então por um período ficamos ali com eles descansando e conversando.

Loja de artesanato no complexo de Karnak

Loja de artesanato no complexo de Karnak

Fomos presenteados com dois pequenos amuletos de escaravelho. No Egito o escaravelho é um dos amuletos mais populares para proteção contra os maus espíritos. No Egito Antigo ele era importante durante o funeral. Perto do coração das múmias era disposto um escaravelho com inscrições sobre a conduta da pessoa para lhe proteger na hora da pesagem do coração. Fizemos bons amigos e bons negócios no local, mas ainda havia muito para conhecer. Para o retorno à cidade decidimos seguir a pé mesmo, pois o caminho margeava o rio Nilo em quase todo o percurso. A temperatura já estava mais agradável, o tempo continuava bom e o céu ainda azul. Nosso plano era de seguir a pé até cerca de 3 km até o Templo de Luxor, que fica no centro da cidade. Começamos a caminhar ao longo do Nilo, pela calçada da avenida. Tiramos algumas fotos do lendário rio. Porém não demorou muito para alguns táxis e condutores de carrocinhas de passeio nos abordarem para oferecer seus serviços. O assédio deles é também muito grande, similar ao dos locadores de passeios de camelos nas pirâmides. Então estejam preparados! Negamos e seguimos caminhando, porém passando da metade do caminho um árabe encostou sua carrocinha e ficou nos assediando para irmos com ele. Não adiantou alertarem a gente antes, lermos relatos que diziam para não fazermos isso... fizemos a burrada de cair na conversa do cidadão. "Cinco Libras", disse ele. "Só cinco Libras e nada mais...". "Ok, nós vamos. Mas pagaremos só cinco libras até o centro para os dois, e nada mais, entendeu?!..." falamos a ele. "Claro, nada mais. Tenham minha palavra..."





Palavra é uma coisa que aquele velho árabe definitivamente não tinha. Primeiro queria levar a gente em uma loja de artesanatos, negamos. Depois falou que conhecia um bom restaurante, negamos. Fomos seguindo pelas ruas na charrete em direção ao centro. Quando ele viu que não iria conseguir nada da gente foi parando e disse que o passeio tinha acabado. Puta sacanagem daquele velho! Ainda bem que o Templo de Luxor ficava apenas duas quadras. Quando tirei os 5 LE para dar a ele, para nossa surpresa, nos pediu 5 LE por cada um... Dei somente as 5 LE acordadas no início. Obviamente também que ele saiu nos xingando muito em árabe... Aqui fica a dica, não andem de charrete em Luxor! Já era metade da tarde quando entramos no templo de Luxor. Lá o ingresso custou 60 LE por pessoa. O Templo fica bem no centro da cidade, em frente ao rio Nilo. Ele é menor que o complexo de Karnak, mas não perde em nada na riqueza de detalhes. A parte externa do templo possui uma espécie de avenida ladeada por esfinges. Na entrada ficam duas estátuas enormes do Faraó Ramsés II. Outros faraós como Amenofis III, Tutankamon e Alexandre o Grande também construíram e fizeram modificações no local.

Avenida das esfinges no Templo de Luxor

Esfinge no Templo de Luxor
Na entrada do templo há duas estátuas colossais de Ramses II e um obelisco de granito. Na realidade essa entrada originalmente era composta por dois obeliscos, mas um deles foi removido e instalado na Praça da Concórdia em Paris em 1836.

Pilono de entrada do Templo de Luxor, duas imensas estátuas de Ramsés II e um obelisco
Obelisco do Templo de Luxor

Estátua de Ramses II na entrada do Templo de Luxor
O obelisco tem 22,5 metros de altura e uma base de 2,5 metros. Pesa cerca de 250 toneladas. Quando se está ao lado das estátuas, suas dimensões também são impressionantes. Seguem abaixo imagens com detalhes da cabeça e pé da representação do faraó.

Detalhe do rosto da estátua de Ramses II à frente do Templo de Luxor

Detalhe do pé da estátua de Ramses II à frente do Templo de Luxor

Após a entrada há o pátio interno de Ramsés II. Este pátio esta decorado com uma fila dupla de 74 com estátuas do faraó. Deste pátio é possível ter acesso à colunata, um corredor com 7 pares de colunas que conduzem ao antepátio de Amenófis III.  

Pátio interno de Ramses II no Templo de Luxor

Colunata do Templo de Luxor

Antepátio de Amenófis III
Entrada Sala Hipóstila


Portaria Templo de Luxor

Saimos do Templo de Luxor no final da tarde. Passamos o dia todo entre os dois Templos praticamente sem comer nada. Foi mais um dia de incríveis aventuras no Egito. Na praça em frente ao Templo de Luxor existem algumas lanchonetes, dentre elas o McDonald. Então foi lá mesmo que matamos a fome. Não podíamos perder tempo, afinal faltava ainda apreciar o pôr do sol no Nilo. Demos a volta na praça do Templo de Luxor, desviamos mais alguns vendedores e lá fomos nós para mais um incrível por do sol.



Ao escurecer voltamos a pé para o Hostal Sherief Bob Marley já muito acabados de cansaço. Que dia! Fechamos os passeios do dia seguinte com o pessoal do hostal mesmo, pois estes seriam mais distantes. Hora de subir ao quarto e descansar, por a comunicação em dia com o Brasil e dormir.



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